Melanie Klein é considerada um dos principais expoentes da chamada segunda geração do movimento psicanalítico mundial. Suas posições transformaram a doutrina freudiana, criando uma linha de análise com crianças.

Em 1914, Melanie Klein teve o seu primeiro contato com a obra de Freud, mais especificamente com o texto.  Sobre os sonhos. Ao mesmo tempo iniciou sua análise com Sandor Ferenczi. Em 1919 tornou-se membro da Sociedade Psicanalítica de Budapeste (SPB). Em julho, apresentou na SPB apresentou um estudo de caso de seu filho de cinco anos. Seu filho era apresentado como Fritz. Nos anos 1920, Klein muda-se para a Alemanha e passa a ser membro da Deutsche Psychoalytische Gesellschaft (DPG).

Em 1924, começou sua segunda análise com Karl Abraham. No VIII Congresso da IPA em Salzburgo, Melanie apresentou uma comunicação polêmica sobre a psicanálise de crianças pequenas, onde questionava alguns pontos do Complexo de Édipo. Tal posição chocou-se frontalmente com as de Anna Freud.

A polêmica proporcionou a abertura de um debate do que deveria ser uma psicanálise com crianças. Para Freud seria um aperfeiçoamento da pedagogia em quanto para Klein seria uma oportunidade de exploração psicanalítica desde o nascimento.

Em 1926, Melanie Klein muda-se mais uma vez, agora, para Londres. No ano seguinte Anna Freud fez um ataque às teses kleinianas de análise com crianças. O próprio Freud fica irritado com as críticas.

As teses básicas que opunham as Klein e Anna Freud era que para a primeira a análise faria parte da educação geral de toda criança. Para a segunda, a análise seria necessária apenas quando a neurose se manifesta.

No X Congresso Internacional de Innsbruck em 1927, o conflito entre as duas expoentes da psicanálise. Em sua comunicação Os estádios precoces do conflito edipiano na qual colocava sua discordância com as teses freudianas sobre a datação do Complexo de Édipo e seus elementos constitutivos e psicossexual diferenciados de meninos e meninas.

Em 1929, trata uma criança autista que se tornou o caso Dick, emblemático em sua carreira. Em 1932, Klein publica sua principal obra, A Psicanálise com Crianças onde coloca os seus conceitos principais, entre eles, o conceito de posição esquizo-paranóide/depressiva e a ampliação da pulsão de morte.

No congresso da IPA em 1955, Melanie faz uma comunicação intitulada “Um estudo sobre a inveja e a gratidão”. No artigo, Melanie desenvolvia o conceito de inveja, articulando-o como uma extensão da pulsão de morte, fato que seria constitucional em termos de fundamento. Mas uma polêmica estava inaugurada por Melanie Klein.

O Kleinismo

Na história do movimento psicanalítico, o kleinismo ganhou grande projeção tornando-se uma escola de pensamento de grande importância, modificando totalmente a clínica  e a doutrina freudiana.

Sob o ensino de Karl Abraham, Kein e seus sucessores fizeram escola que integrou na psicanálise o tratamento de psicoses (esquizofrenia, borderlines) ao mesmo tempo em que criava o princípio  da psicanálise com crianças. Proporcionou também a interrogação freudiana sobre o lugar do pai, o complexo de Édipo e a gênese da neurose e da sexualidade.

Sendo assim, a escola de Melanie Klein ocupa um lugar de grande destaque dentro do movimento psicanalítico.

Bibliografia

Roudinesco, E. & Plon, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1998.

NASIO, J-D. Introdução à obra Melanie Klein. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1995.

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